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		<title>prólogo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:07:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[ Não há história tão grande que não possa vir embrulhada num trapo de chita, nem história tão pequena que não valha a pena ser lida sem motivo aparente.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=56&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"> <em>Não há história tão grande que não possa vir embrulhada num trapo de chita, nem história tão pequena que não valha a pena ser lida sem motivo aparente.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=56&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ser agrião</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:03:14 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Desaconteci. Desconheci de repente o monolito no espelho: eu? Quem? Desfareleci. Dormi sã e acordei desnomada. Doutor disse que era cabeça; mãe disse que era cigarro e friagem; padre apostou em males do espírito – é o coração raquíííítico. Desacreditei um e outra e outro e fui à feira como num dia normal querendo dar motivos pro mundo me reconhecer. Seu Jovélio teria que me dar <em>bom dia, dona</em>. Seu Pedro, <em>bom dia, moça, já vai cedo?</em> A calçada em atrito com meus pés projetaria meu corpo para o futuro ali adiante; o cão vagabundo farejaria minhas pernas pra investigar o entorno em preto e branco; eu mataria formigas sem ver e levaria a mão à boca ao espirrar; os motoristas aguardariam minha marcha sobre a zebra do asfalto e eu chegaria à feira sem desditas, repetindo ordinariedades amistosas, irmanando-me com os humanos ao me guiar pelo mundo usando a bússola que todos levamos por dentro: uma tal que aponta pro norte da rotina e nos livra dos sustos de tragédias e esplendores desconhecidos. Tudo sucedeu assim. Por fora. Por dentro não. A paisagem se despigmentava ou era eu que desalvorecia? A barraca de folhas tinha mais vida do que eu podia suportar. O agrião, por exemplo, se soubesse e falasse, diria isso de si: sou verde e parrudo. Crudelíssimo. Eu sabia, falava, mas não me descrevia. Descria da desvantagem que levava por saber. Pedi um maço só pra alimentar a inveja. Paguei e voltei. Na pia, o agrião verdejava sem querer, e eu, querendo o oposto, desaguentava fininho, um filete de gente. O dia terminou com o telejornal mostrando imagens de enchentes no norte do país. Na tela, close numa plantação de agrião submersa; close no dono do campo alagado, um velho curtido chorando o susto que sua bússola não indicou. Aquilo doeu em todos, nos que vendiam e nos que compravam verduras. Só não doeu nas folhas afogadas, ignorantes de si mesmas. Bem-aventurados os que nascem agrião, gritava o pastor na TV. Dormitei. Sonhei que acordava desacontecida e sem ciência de ser ao revés, desumanada e verdinha, embrulhada e vendida na feira como um maço parrudo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=54&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ignorância rejuvenesce</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:02:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um tiro. Pá! Seco e quebradiço. Corri à janela pra ver quem era. Dona Doida, à direita, levantava o vestido azul de menina rota de Renoir e arriava a calcinha pra urinar entre as árvores da avenida Higienópolis. Imprecava contra as vozes, inimigas suas que lhe recordavam sempre quem era. Puta é sua mãe! O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=52&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um tiro. Pá! Seco e quebradiço. Corri à janela pra ver quem era. Dona Doida, à direita, levantava o vestido azul de menina rota de Renoir e arriava a calcinha pra urinar entre as árvores da avenida Higienópolis. Imprecava contra as vozes, inimigas suas que lhe recordavam sempre quem era. Puta é sua mãe! O tiro não foi pra elas. Dona Doida voltou a dormir no meio-fio. À esquerda, quatro da manhã e ninguém mais existia em matéria na rua Maria Antônia. As pessoas minguavam às onze e meia e terminavam de existir às duas da manhã com os olhos fechados. Coisa que mais me dá poderes sobrehumanos é estar desperta nessas horas em que o mundo morre sob a ignorância do sono. Quem mais teria ouvido o tiro senão eu? Quem mais, às quatro, estaria pronto a investigar a sorte de um qualquer atravessado por uma bala enquanto ele ainda agonizava? Quem, senão eu, zumbi no sétimo andar, fumaria com gozo celebrando a descoberta de um crime oculto até para o assassino, semi-cego na penumbra de quem vi o vulto culpado e nervoso? Quanto poder, meu Deus! Na manhã seguinte, às oito, o jovem casal do 75 entrou comigo no elevador. Bom dia – eles. Bom dia – eu. Alheios ao crime daquela madrugada, foram à padaria quase na mesma passada que eu. Pegaram a fila do pão junto comigo e pediram cinco dos mais torradinhos; pedi os dois mais lívidos da fornada. O casal tinha uma cara limpa e boa e a boca deles exalava hortelã com juá. A mulher, sem mais, perguntou se eu havia dormido bem. “Passei a noite conhecendo o futuro antes”, pensei. – Sim, dormi bem, obrigada – respondi. A pergunta não era retórica. Pelos vincos nos cantos dos meus olhos, ela desvendava meus superpoderes. Saber demais dá rugas. No fim da vida, terei a topografia do mundo tatuada na cara, e meu rosto estará nas capas dos livros de geografia. Quanto poder, meu Deus…</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=52&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>bestialidade</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:01:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fazia um calor de caldeirão bem onde eu não alcançava abanar: no espaço que vai do miolo do osso ao avesso da pele, mas sem transpassá-la, na extensão do corpo todo, do calcanhar ao centro do crânio. O couro da alma curtia além da resistência das fibras e em breve quebraria. No sétimo andar chegou-me, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=50&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fazia um calor de caldeirão bem onde eu não alcançava abanar: no espaço que vai do miolo do osso ao avesso da pele, mas sem transpassá-la, na extensão do corpo todo, do calcanhar ao centro do crânio. O couro da alma curtia além da resistência das fibras e em breve quebraria. No sétimo andar chegou-me, às onze da noite, a excitação dos calouros da rua Maria Antonia no primeiro dia de aula. Putas-que-os-pariram!, roguei. O burburinho quase abria a janela para sentar-se ao parapeito e me espiar expiando. Não estivesse eu morta, sem querer misturar-me ao mundo e suas alegriazinhas sem mais, convidaria uns três da multidão pra me soprarem o tutano a noite toda e me ninarem com as marchinhas de grêmio, cornetões e um roçar dos dedos cheios de tinta nas minhas têmporas. O calor começou no jantar, que foi assim: uma mesinha redonda, duas cadeiras (uma vazia), um prato, talheres, um copo e cinco minutos. Arroz com feijão e couve são execráveis quando não há alguém que lhe passe a farinha e pergunte: tem couve aqui, ó? (apontando entre o canino e o pré-molar); ou: viver te incomoda?. Ô!, eu diria, espargindo farinha pelas bordas do prato, nos cabelos e braços, querendo mostrar como a vida, àquela altura, havia perdido seus encaixes. Abri a janela e atraí a brisa que às duas da manhã estava só; os calouros já se haviam ido e com eles a alegria do mundo. Adormeci ensimesmada, emulando as virtudes da couve que não tem tutano abrasador e esmiuçando a memória em busca de uma voz que ocupasse a cadeira vazia no próximo jantar. Às duas e meia recebi uma visita. Ela não me despertou, desfrutou-me. Comeu os espólios da decomposição do meu corpo, peles, comeu meus pêlos, sugou o suor entre os meus dedos e percorreu a ponte branca do meu braço querendo alcançar o manancial da minha boca aberta simulando fartura. Despertei antes e pulei da cama ao chão com uma rapidez que não me pertencia. Ba-ra-ta-fi-lha-da-pu-ta!, gritei. Sob a luz ela recuou, correu para baixo dos lençóis. Eu a cacei, enfrentamo-nos. Eu venci, mas nem tanto. Esparramadas pela cama, porçõezinhas de bosta de barata-saciada-com-meu-corpo. Até às quatro não dormi, acuada num canto do sofá comendo sucrilhos com leite no açucareiro (faltavam copos), emulando a bestialidade dos calouros, a potência das cornetas e marchinhas idiotas, a impassibilidade da farinha que se deixa manejar sem nunca se queixar do próprio destino. Meus ossos, de tão quentes, comportavam tutano líquido, e o couro da minha alma crestava só d´eu respirar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/50/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=50&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>impróprio para consumo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho uma saliência no caráter que é esta: gente manca me desvirtua o período fértil. Meu coração umedece com tal água que sou capaz, só de olhar um coxo, de conceber e dar à luz mil crianças que desenham equívocas formas na areia enquanto correm atrás de cachorros. Tem razão isso? Aos sete anos de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=48&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho uma saliência no caráter que é esta: gente manca me desvirtua o período fértil. Meu coração umedece com tal água que sou capaz, só de olhar um coxo, de conceber e dar à luz mil crianças que desenham equívocas formas na areia enquanto correm atrás de cachorros. Tem razão isso? Aos sete anos de idade meus amigos eram os obesos, os estrábicos, os bestas sem culpa, os de nariz remelento, os fedidos sem solução, as vítimas de estupro e os de cabelo vermelho – cheguei a bater num perfeitinho que pegou um extintor e o apontou a um ruivo só pra dele fazer troça. Simetria e fluidez nunca me valeram. Eu arrancava perna de boneca, galho de árvore e até quebrava ovo de páscoa nas prateleiras dos supermercados pra que tivessem a cara dos amores que eu sabia arregimentar. Talvez, assim, buscasse meus iguais: sempre intuí que era vesga, ruiva, besta e violada por dentro. Restringi meu apreço só aos mancos aos dez anos, quando meu ventre precoce arrebentou de tanto parir. Agora, aos trinta, me acossam uns tremores de abstinência. Quero de volta essa gente que, aos olhos da exatidão, foi entregue ao mundo num pacote amassado com a data de validade vencida. Oxalá as fibras do meu útero se recomponham pra eu parir um hipermercado inteiro, do tamanho universo, só com gente imprópria pra consumo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=48&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>higiene</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:00:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Decidi escovar os dentes para perpetuar com força a sensação de limpeza que escova e pasta juntas me dão mais que um ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Com espuma e detritos escorreram pelo ralo todas as impurezas borbulhando nos vãos da gengiva e do pensamento. Escovei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=46&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Decidi escovar os dentes para perpetuar com força a sensação de limpeza que escova e pasta juntas me dão mais que um ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Com espuma e detritos escorreram pelo ralo todas as impurezas borbulhando nos vãos da gengiva e do pensamento. Escovei meus dentes até que se esfarelassem entre as cerdas, e com eles a língua, a mucosa, o palato, as amígdalas, depois os ossos e o resto todo da cara. Chamaram-me do lado de fora batendo à porta do banheiro. Queriam entrar. Do lado de dentro, porém, onde o milagre ocorria, nem um gemido ganharam: de tão limpa, eu já não estava lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=46&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>amor honesto às canelas finas</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mas foi na página 165 que desfaleci de amor pelo príncipe idiota, prolixo e bom, esse de quem Dostoievski emprestou as entranhas de Cristo e as remoldou com massa de biscuit. Frágil e estupidamente sincero, o príncipe russo me salvou de ter uma pena mortal de mim mesma por causa das minhas canelas finas. Quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=44&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas foi na página 165 que desfaleci de amor pelo príncipe idiota, prolixo e bom, esse de quem Dostoievski emprestou as entranhas de Cristo e as remoldou com massa de biscuit. Frágil e estupidamente sincero, o príncipe russo me salvou de ter uma pena mortal de mim mesma por causa das minhas canelas finas. Quando eu quis acreditar que toda pessoa é intrinsecamente mentirosa, e que a honestidade é uma corrupção do caráter – só assim me livraria do remorso de mentir que não uso saia porque frio embaixo me dói nas trompas de falópio –, apareceu-me o príncipe, no livro, anulando as dubiedades do mundo para tornar a verdade mais saliente – mesmo que saliente se tornasse, também, sua idiotice. Quem resistiria à suculência de um caráter que acolhe e expõe num vaso, feito um lírio estupendo, as próprias misérias? Teodora logo notou que eu estava de caso com alguém superior: eliminei a cera inútil das palavras e passei a suspirar e depilar as pernas com mais frequência. <em>Vai sair?</em>, Teodora me perguntou numa sexta-feira à noite (eu com um vestido expondo as coxas, nuca à mostra e um buquê nas mãos). Ãham. <em>E vai aonde?</em> Se eu já havia chegado ao fim do livro, aonde mais iria senão me casar com o homem que me acolhe as misérias? Na carteira do príncipe há, hoje, duas fotos: uma nossa, nas bodas, e outra só minha, linda, dos joelhos pra baixo – dois lírios estupendos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=44&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>lascividades</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 20:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[– Tem jeito de não querer fazer as unhas? – Ela insiste pra subir, dona. – Diz pra ela que não preciso. – Mas ela insiste, tá até com espuminha de manicure e lixa. – O senhor já tentou insultá-la pra ver se ela desiste? – Ah, não, dona, ela tem nome de lugar sagrado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=42&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– Tem jeito de não querer fazer as unhas?</p>
<p>– Ela insiste pra subir, dona.</p>
<p>– Diz pra ela que não preciso.</p>
<p>– Mas ela insiste, tá até com espuminha de manicure e lixa.</p>
<p>– O senhor já tentou insultá-la pra ver se ela desiste?</p>
<p>– Ah, não, dona, ela tem nome de lugar sagrado, Belém (<em>num crescente</em>), Belém! Belééém! E Belém eu não insulto não.</p>
<p>– Tá, deixa subir.</p>
<p>Não havia princípio, mas o fim último de todas as coisas. Teodora dizia, pra me fortificar a esperança (ignorando que a esperança mortifica quem não a tem), que o mal estar era temporário e que lá no fim, onde os fios de algodão da tapeçaria divina se encontram num emaranhado disforme, havia uma resposta metafísica tão lógica e sublime que eu morreria de êxtase ao descobri-la, feito Santa Teresa com a flecha no peito, cara de gozo e um novelo nas mãos. Teodora, depois de dizer isso, puxou-me pelo braço e colou a boca na minha orelha pra sussurrar uma frase que ninguém mais no mundo ouviria: “a ignorância é o que te mata, mas farejar a felicidade é o que te mantém viva”.</p>
<p>– As unhas? (<em>suspiro</em>) Sim, Belém, quero feitas.</p>
<p>Teodora só não me disse que para desfazer o mafuá divino eu teria que percorrer cordinha por cordinha, ora me equilibrando sobre elas, ora com os pés suspensos, segurando-me aos fios e aguentando nos pulsinhos de canário meu peso de mundo. Só assim eu conheceria os caminhos do Senhor e saberia, no fim dos tempos, por onde começar os trabalhos de elucidação do mistério de uma vida inteira.</p>
<p>– Belém, cuidado com esse bife, catzo! (<em>sangue</em>)</p>
<p>Belém decepava meus cantinhos com o pretexto de invadir minha vida. “Ai, olha essa carne sangrando, essa carne, essa carne… você tem (<em>pigarro</em>) ééé… tem feito (<em>pigarro</em>)… isso de… (tosse)”.</p>
<p>– Sexo, Belém?</p>
<p>(<em>Belém enrubesce, baixa os olhos e seca meu sangue com um paninho; depois, ajeita a medalha do Carmo no peito pra proteger as entranhas do que vai ouvir</em>)</p>
<p>– Belém, por que continuar na superfície? Prefiro te descrever o céu. O céu me cobre sem pesar no meu corpo, não me ofende, nem por dentro, nem por fora. Me sopra de um lado pro outro querendo que eu sinta a gravidade zero brotando das suas mãos sem digitais. Se eu digo que pare, ele não para de todo, antes, me ludibria com sopros no pescoço enquanto sonda meu corpo pra descobrir onde quero ser tocada sem angústias. O céu é todo liso e sem bordas. Quando a chuva abunda, ele verte, e não me molha só partezinhas do corpo, como as unhas que você umedece nesse potinho de plástico com cinco furos. Molha-me de todo, de súbito, e de mim, em segundos, só diz a água, que do céu é a promessa de amor perene: quando não me refresca por fora, me liquefaz por dentro. Não me deixa nunca. Por tudo isso, Belém – e apesar do artigo “o” e do pronome “ele” que o antecedem quando o invoco – concluo que o céu não é homem. O céu é uma mulher, uma mu-lher, Belém. Entende isso?</p>
<p>Belém tossiu e perguntou se eu queria esmalte claro perolado.</p>
<p>– Não, quero carmim, o carmim que tingia o corpo de Santa Teresa quando ela desenrolou o novelo divino e gozou por toda a eternidade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=42&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>novas devoções</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 20:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abri a janela para despejar uma varejeira camuflada no voal e aproveitei pra gritar e ver se me livrava de mim também: Eloi, Eloi, lama sabachthani? Isto é, Senhor, Senhor, por que me abandonaste? Dos céus (11º. andar) chegou a resposta: não chama Eloi, não, sua anta, que é cedo e ele vai acordar puto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=40&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abri a janela para despejar uma varejeira camuflada no voal e aproveitei pra gritar e ver se me livrava de mim também: Eloi, Eloi, lama sabachthani? Isto é, Senhor, Senhor, por que me abandonaste? Dos céus (11º. andar) chegou a resposta: <em>não chama Eloi, não, sua anta, que é cedo e ele vai acordar puto com você! Te desce um cacete que ce nem vê e eu ainda chamo o zelador pra te multar!</em> Voltamos a dormir, a varejeira e eu. Nos sonhos, Eloi, com barba branca e uma receita azul na mão, apareceu-me dizendo um chiste assim: <em>Louvada seja Nossa Senhora Duloxetina</em>. Eu, sob efeito das graças da santa, respondi com a boca mole: para sempre seja louvada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mulheragriao.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mulheragriao.wordpress.com/40/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=40&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>invisível monossílabo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 20:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevo palavras rudes sem pudor e engrandeço: caibo, carvalho, poroso, cominho, própolis, cação, matilha, violáceo, papua nova guiné. Isso é grave, doutor? Doutor botou luvas de látex temendo pegar rudeza pelas mãos. Escreve coentro, também? Escrevo! E feito uma louca! Escrevo coentro em memorando, em carta de amor, em contrato, em receita de torta, porta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mulheragriao.wordpress.com&amp;blog=7996761&amp;post=38&amp;subd=mulheragriao&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo palavras rudes sem pudor e engrandeço: caibo, carvalho, poroso, cominho, própolis, cação, matilha, violáceo, papua nova guiné. Isso é grave, doutor? Doutor botou luvas de látex temendo pegar rudeza pelas mãos. <em>Escreve coentro, também?</em> Escrevo! E feito uma louca! Escrevo coentro em memorando, em carta de amor, em contrato, em receita de torta, porta de banheiro, em folha de cheque, banco de ônibus e post it. Só me falta escrever em bilhete suicida.<em> Humm. Escreve compulsivamente, então?</em> Sim. <em>Alguém te lê?</em> Não, nunca. <em>Por quê?</em> Porque o mundo não tá pra rudezas. Hoje o povo (<em>povo</em> é rude) prefere essas mais leves assim: marola, morango, groselha, manada, fachada, isopor, valeta, vagina, pênis, pinto&#8230; pênis ou pinto, doutor? <em>Pinto</em> (disse o doutor, em sussurro). Tem cura? <em>Humm, grave.</em> Grave?! <em>Parece&#8230;vejamos: experimenta dizer me-ren-gue.</em> Não sai. <em>Não sai?</em> Não, é suave! Não sai e ponto. Doutor pegou o estetoscópio (ai, estetoscópio me assanha de tão voraz vocábulo que é) e me auscultou o coração. Ouve o quê, doutor? <em>Tu tum, tu tum.</em> Ai, não fala isso que o senhor me assassina! (por tão rude onomatopéia eu me derreti). <em>Não falo o quê? Tu tum?</em> Ai ai, é, não fala, não faaala! Doutor emudeceu e arredou a cadeira pra longe de mim. Pegou papel e caneta. Na receita, mandou manipular uma solução concentrada em 100% de monossílabos a serem repetidos (e não escritos) em grupos de cinco a cada duas horas e à meia-voz. Em uma semana, doutor aguou minhas artérias. Hoje, só escrevo <em>cu</em> em guardanapo de papel translúcido de boteco. O povo continua a não me ler: <em>cu</em> é quase invisível quando grafado com marca-texto azul-bebê.</p>
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